Sem culpa, sem tabu, sem pudor.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mulheres frágeis?

Não sou leitora assídua de nenhum escritor em particular, mas confesso que alguns se destacam mais em minha estante.
Os escritores (as), poetas, compositores, todos tem sua maneira de expressar o que sente ou pensa. Não importa se é homem, mulher, jovem, velho ou criança. Todos tem o direto de expressar o que sente e como sente.
Não escrevo tão bem, não tenho sempre a coerência necessaria para redigir um belo texto, e nem tenho um vasto vocabulário . Mas olha eu aqui, escrevendo; ou tentando escrever. E sempre que sento para escrever percebo uma pequena melhora em tudo, incluindo meu modo pensar. E para as pessoas que acham as mulheres seres frágeis, que escrevem apenas belos e melosos poemas ou romances, se enganam. Mulheres são frágeis sim. Mas quando querem e com o que querem ser. Elas também sentem aquele ardor pelas palavras que algumas pessoas julgam inadequadas para a classe feminina. Mas como meu blog não tem nenhum tipo de pudor ,irei postar alguns trechos de livros e pensamentos de duas mulheres que me encantam com alguns livros, Clarisse Lispector e Lya Luft.




Escrever, Humildade, Técnica

Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. Esse modo, esse "estilo" (!), já foi chamado de várias coisas, mas não do que realmente e apenas é: uma procura humilde. Nunca tive um só problema de expressão, meu problema é muito mais grave: é o de concepção. Quando falo em "humildade" refiro-me à humildade no sentido cristão (como ideal a poder ser alcançado ou não); refiro-me à humildade que vem da plena consciência de se ser realmente incapaz. E refiro-me à humildade como técnica. Virgem Maria, até eu mesma me assustei com minha falta de pudor; mas é que não é. Humildade com técnica é o seguinte: só se aproximando com humildade da coisa é que ela não escapa totalmente. Descobri este tipo de humildade, o que não deixa de ser uma forma engraçada de orgulho. Orgulho não é pecado, pelo menos não grave: orgulho é coisa infantil em que se cai como se cai em gulodice. Só que orgulho tem a enorme desvantagem de ser um erro grave, com todo o atraso que erro dá à vida, faz perder muito tempo.

Clarice Lispector


Texto extraído do livro "A Descoberta do Mundo", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1999.



"Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte/ Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós - desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida/ O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós./ O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância./ Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se".


"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."

Lya Luft

Um comentário:

  1. Olha minha amiga fazendo uma bela estréia no mundo do "diário aberto".

    Seja bem vinda, aproveite cada linha ^^

    Te adoro Angeli!
    "Mulheres são frágeis naquilo q querem ser" adorei :)

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