Sem culpa, sem tabu, sem pudor.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Leituras...

Então fiquei com o rosto na parede. "Já está amanhecendo", disse sem olhar para ela. "Quando deram duas da manhã, estava acordado, já fazia bastante tempo." Dirigi-me até a porta. Quando tinha pegado a maçaneta, ouvi outra vez sua voz igual, invariável: "Não abra essa porta", disse. "O corredor está cheio de sonhos difíceis". E eu lhe disse: "Como você sabe disso?" E ela me disse: "Porque há pouco estive ali e tive que voltar quando descobri que estava dormindo sobre o coração". Eu mantinha a porta entreaberta. Movi um pouco o batente, e um ar frio e tênue me trouxe um cheiro fresco de terra vegetal, de campo úmido. Ela falou outra vez, virei-me, mexendo ainda o batente montado em gonzos silenciosos, e lhe disse: "Creio que não há nenhum corredor aqui fora. Sinto o cheiro do campo". E ela, já um pouco longe, me disse: "Conheço isso mais do que você. O que acontece é que lá fora há uma mulher sonhando com o campo". Cruzou os braços sobre a chama. Continuou falando: "É essa mulher que sempre desejou ter uma casa no campo e nunca pôde sair da cidade". Eu lembrava ter visto a mulher num outro sonho anterior, mas sabia, já com a porta entreaberta, que dentro de meia hora tinha que descer para o café da manhã. E lhe disse: "De toda maneira, tenho que sair daqui para acordar".

Lá fora o vento bateu um instante, ficou quieto depois, e ouviu-se a respiração de alguém adormecido que acabava de virar-se na cama. O vento do campo suspendeu-se. Já não houve mais odores. "Amanhã vou reconhecer você por isso", disse. "Vou reconhecê-la quando vir na rua uma mulher que escreva nas paredes: 'Olhos de cão azul'". E ela, com um sorriso triste — que já era um sorriso de entrega ao impossível, ao inatingível —, disse: "Não obstante, você não lembrará nada durante o dia". E voltou a pôr as mãos sobre o abajur, com a expressão obscurecida por uma névoa amarga: "Você é o único homem que, ao acordar, não se lembra nada do que sonhou".

Trecho do livro: Olhos de cão azul - Gabriel García Márquez

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Lugares inesquecíveis...
Faxinal é um deles. Essa foto foi tirada em uma viagem que fiz em 2008. Aproveitei o feriado do dia 15 de novembro que caiu em uma segunda e fui acampar novamente. O lugar continua lindo. Um lugar pra meditar, relaxar e curtir a natureza de perto. Fim de semana perfeito, lugar lindo e em boa companhia. Precisa de mais?


Eu agradeço
Vinicius de Moraes / Edu Lobo

Eu agradeço
Eu agradeço a você
Muito obrigado por toda a beleza que você nos deu
Sua presença, eu reconheço
Foi a melhor recompensa
Que a vida nos ofereceu

Foi muito lindo
Você ter vindo
Sempre ajudando, sorrindo, dizendo
Que não tem de quê

Eu agradeço, eu agradeço
Você ter me virado do avesso
E ensinado a viver
Eu reconheço que não tem preço
Gente que gosta de gente assim feito você

sexta-feira, 19 de novembro de 2010



Já faz algum tempo que não escrevo o que eu gosto, não leio os livros que me interessam e que o tempo se tornou algo assustador. Não tenho o tempo necessário pra fazer o que realmente me interessa. Tudo é tão corrido e planejado. Sei que isso não é desculpa, e nem quero que seja, embora quando me perguntam por que não fui a algum lugar ou por que não fiz isso ou aquilo, a primeira resposta: não deu tempo. Pois é, a velha “desculpa” do tempo. Estou cansada dessa “falta de tempo”. Disseram-me uma vez que eu precisava organizar meu tempo, os meus horários; mas será que quem me disse isso sabe o quanto o trabalho e faculdade consomem este tempo? Confesso que esse longo 4° termo da faculdade está um tanto cansativo, ou será o cansaço de um longo ano sem esse tempo que está me desgastando? Realmente não sei.


Daniela Angeli

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Lembranças

Como é bom relembrar a infância. Época em que uma simples folha de papel se transformava no mais lindo avião, ou um galho qualquer na mais poderosa varinha do reino encantado. Ah, velha infância.
Os tempos eram outros; sem games, computadores, ou outra máquina qualquer. Era tempo de queimada, bolinha de gude , futebol na rua... e a criançada, que farra! Na casa da avó então, só bagunça e mimos. Era uma festa quando reunia a criançada toda em volta da mesa. Bolo, doces, refrigerante, tudo preparado com todo carinho. Tempo que não volta. Só fica a lembrança, e com a lembrança saudade. Saudade de uma época em que tudo era brincadeira. Como é bom recordar.
Se eu pudesse voltar no tempo faria tudo outra vez com mais intensidade. Mas o tempo passa, as pessoas crescem, criam uma coisa chamada "vida adulta", cheia de responsabilidade e incompreensão. É bom ser criança. Como não posso voltar no tempo, só me resta relembrar os momentos em que no "meu" mundo não existia maldade, só planos; planos para um futuro que no fundo sabíamos que a unica coisa pura e valiosa na nossa vida seria nossa lembrança.


Daniela Angeli

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

" As melhores mulheres pertencem aos homens mais atrevidos"
Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo... Os homens não querem alcançar essas boas, porque ele têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados... Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.

(Machado de Assis)